A guerra das secretas e a dança dos protagonismos à volta de uma Loja Maçónica faz a curiosidade das massas que picadas pelos jornalistas se lançam sobre a Maçonaria como os romanos nos circos aplaudindo a chacina dos cristãos. É a mesma alarvice animal, o mesmo pre-julgamento feito de ignorância, o raciocínio expedito de quem levanta a voz e diz "isto basta juntar um e dois é igual a três". Tugas no seu melhor, na cauda da Europa, incapazes de pagar as dívidas do segundo carro, da casa de fim-de-semana, das férias na neve pagas a cartão de crédito mas ainda assim soberbos, arrogantes. Não tenho aqui o Eça à mão mas é a mesma basbaquice saloia.
Alguém da Ordem escrevia no Facebook que temos de ser mais criteriosos nos recrutamentos. É verdade. Não chega saber-se que o profano é importante (ou se diz), que conhece fulano ou beltrano, que pode ser uma "peça" importante na Loja para se achar que já nem é preciso inquérito, é gingas.
Falta ao mundo fácil dos nossos dias a prova da dureza da vida, a possibilidade da perseguição por se defender a liberdade, a justiça, a democracia, um mundo mais equitativo. Quando tudo se toma por adquirido, sem suor e lágrimas, os valores diluem-se, esfumam-se, abastardam-se.
De repente surgiu um casta de xico-espertos que enche o peito e diz todos os politicos que são maçons devem dizer que o são. E porque não os que são da Opus Dei, do Benfica, da Tertúlia do Bacalhau? Quando a inteligência se priva da racionalidade e se rende ao cabotino e ao vulgar anula-se a si própria.
Bem sei que isto vende jornais e abre noticiários. Sempre é mais saboroso do que os objectivos do Orçamento que não se cumprem, que os assessores que afinal se recrutaram em catadupla e que contradizem as juras de rigor e parcimónia de há seis meses atrás.
Vamos ser claros. Não sei se isto é alguma guerra de protagonismo entre o Grande Oriente Lusitano e a Grande Loja Legal de Portugal. Se o é, é mau pois no fim ficamos todos a perder.
A Maçonaria deu à humanidade alguns dos seus maiores marcos: a Sociedades das Nações, a Carta Universal dos Direitos Humanos, a independência dos Estados Unidos, a Unesco, a Cruz Vermelha Internacional, a Bill of Rights, a música excelsa de Mozart, Bach, Bethoven, Sibelius, List, etc.
É para aí que devemos virar a nossa vista procurando imitar e replicar.
As outras minundências dos negócios da televisão e da multimédia, deixemos aos pares da Lili Caneças, com o respeito que a Sra naturalmente merece. Sempre vende aquelas revistas cor-de-rosa que nos ajudam a passar o tempo até ao encontro semanal com o dentista.
Deixem a Maçonaria em paz e concentrem-se no que é essencial: um país que está na cauda da Europa, 300 000 portugueses que durante os ultimos seis meses de 2011 sairam para o estrageiro à procura de trabalho, nos novos pobres que dormem à esquina das nossas ruas.
Vivemos num mundo de aparências que num certo tempo vai rebentar. Então talvez nos viremos para o que é sério e verdadeiramente importante: o ser humano.
Gama
