Refazemos o nosso tempo a seguir ao Natal vencendo os dias que nos faltam para a mudança do ano. 2011 conclui-se com a consolidação da nossa Augusta Ordem com a entrada de obreiros que haviam saído na cisão de 1997 da Casa do Sino. Processo naturalmente lento e gradual. Na imprensa portuguesa reflexos da mudança de liderança no Grande Oriente Lusitano e da curiosidade imensa no mundo profano pela Maçonaria, pelos seus objetivos e atividades e sobretudo pela "dança" dos nomes famosos. Sinal dos tempos e da exposição das organizações à curiosidade das massas. No plano internacional, os ecos da tragédia da Noruega às mãos de um paranoico que por acaso era macom, levando os pescadores de aguas turvas a tradicional confusão entre a atuação de alguns e a organização em si. Em Franca, noticias de turbulências na Grande Loja irmã e anúncios da retirada do reconhecimento internacional, a justificar alguma reflexão sobre os caminhos, os estilos e as escolhas. Em termos gerais reforça-se algum sentimento de orfandade no Ocidente dos valores que fizeram a nossa historia e civilização e a procura de um quadro referencial que nos leve adiante, construindo uma sociedade mais fraterna e solidária para os nossos filhos. A Oriente, sucessivas tragédias climáticas e naturais revelam as limitações da razão e do poder do homem e a necessidade de uma maior espiritualidade e de um renovado apelo à transcendência. O ano de 2012 que se aproxima será difícil e penoso para muitas famílias dada a crise internacional. Também em Portugal em que o mimetismo do consumismo desgarrado não disfarça o sentimento de aflição e desorientação.
Nesta encruzilhada de caminhos a maçonaria ainda não encontrou o seu papel e o sentido renovado para a obra que faz. Começa a franquear a porta ao mundo mas convive dificilmente com as adulterações profanas que a pressionam num sentido antagónico aos valores que propaga e a justificam. Há um sentido de equidade que importa repor na sua pureza inicial e esse e o trabalho de mais de uma geração. Também aqui há-que dar lugar aos novos.
